Você sabe o que é inflação implícita?

Se você já investe ou pretende investir em renda fixa, já se deparou – ou irá se deparar – com o conceito de inflação implícita. Mas você sabe o que ela representa e qual a sua importância para o investidor? Neste artigo, vamos esclarecer as principais dúvidas sobre este tema. Continue lendo e confira!

 

O que é inflação implícita?

Inflação implícita nada mais é do que a diferença entre a taxa de juros prefixada (nominal) e a taxa de juros indexada ao IPCA (real). Acompanhar essa taxa é fundamental para o investidor, uma vez que a inflação impacta profundamente em seus ganhos e resultados.

Além disso, ela pode ser calculada ao se observarem duas opções de investimentos: os títulos prefixados – que pagam uma taxa predefinida de x% a.a. – e os títulos indexados ao IPCA – que pagam a variação do IPCA mais uma taxa prefixada de x% a.a. Entretanto, antes de aprender a calcular a inflação implícita, é importante conhecermos outros conceitos: juros nominais e juros reais e o princípio da não arbitragem.

 

Juros nominais e Juros reais

              

Os primeiros conceitos importantes que devem ser conhecidos para se entender a inflação implícita são os conceitos de juros nominais e juros reais. A taxa de juros nominais é aquela ofertada em empréstimos ou em investimentos. A taxa Selic, a DI e as prefixadas são alguns exemplos desta taxa.

Já a taxa de juros real é a taxa de juros nominal menos a inflação, ou seja, representa quanto o investimento rendeu acima ou abaixo da inflação. Os títulos indexados ao IPCA, por exemplo, são negociados em taxas reais, pois remuneram a inflação mais ou menos uma taxa. A fórmula para calcular a taxa de juros real é apresentada abaixo:

Juros nominais e Juros reais

É importante notar que a taxa de juros real pode ser negativa. Isto pode ser observado nos exemplos a seguir:

Exemplo 1: Considere um investimento que teve um rendimento nominal de 5,30% a.a. Já a inflação no período – medida pelo IPCA – foi de 2,78% a.a. Utilizando a fórmula acima, observamos que o rendimento real no período foi de 2,45% a.a.

Juros nominais e Juros reais

Exemplo 2: Considere agora que o retorno do ativo foi de 4,35% a.a., enquanto a inflação alcançou o patamar de 5,20% no período. Neste caso, o retorno real foi de -0,81%, ou seja, o investidor teve retorno real negativo. Note que, para que o juro real seja negativo, basta que a inflação seja maior do que o retorno do ativo no período.

Juros nominais e Juros reais

Princípio da não arbitragem

              

O segundo conceito importante para se entender a inflação implícita é o conceito da não arbitragem. Ele estabelece que ativos com a mesma estrutura de rendimentos devem apresentar o mesmo retorno. Caso contrário, existiria a possibilidade de comprar o ativo comparável mais barato e vender o mais caro, de forma a sempre obter lucro sem risco. No caso da renda fixa, esse princípio nos mostra a relação entre ativos prefixados e os ativos indexados ao IPCA.

Exemplo 3: Considere um ativo prefixado rendendo 11% a.a. e um indexado ao IPCA rendendo inflação + 4% a.a. Pelo princípio da não arbitragem, eles devem ter o mesmo rendimento. Assim: 11% a.a = Inflação + 4% a.a. Reorganizando a fórmula anterior:

Princípio da não arbitragem

Essa inflação projetada (6,7%) é a inflação implícita. Note que é uma inflação projetada, visto que só saberemos o verdadeiro valor da inflação no vencimento do investimento.

 

Como calcular a inflação implícita?

           

A inflação implícita pode ser calculada ao se compararem duas opções de investimento para o mesmo prazo: uma em taxa real, como o Tesouro IPCA, e outra nominal, como o Tesouro Prefixado. Para tanto, basta utilizar a fórmula que foi apresentada no exemplo acima. A inflação implícita sempre será o resultado desta conta, uma vez que as taxas nominais e reais são negociadas no mercado.

A inflação implícita é apenas um dos diversos conceitos e assuntos econômico-financeiros que o investidor precisa saber para acompanhar melhor seus investimentos. Diante disso, caso você tenha gostado deste texto e queira aprender mais, não deixe de acessar o blog da SOMMA! Nele, você encontra conteúdos educacionais e econômicos para se manter atualizado e estar sempre por dentro do que acontece no mundo dos mercados financeiros.

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